Tem dias em que, na penumbra do pensamento,
a boca saliva.
Fica faltando algo.
Puxo o ar como quem tenta trazer à boca
um gosto antigo de especiarias:
cravo,
canela,
um toque amadeirado.
Nada vem.
Menos ainda a inspiração.
Tive um companheiro que, por muitos anos,
me acompanhou nos momentos de reflexão.
Mas pra ter muitos anos de reflexão,
precisei deixar ele de lado.
A lembrança,
o gosto,
o cheiro,
ainda vêm como um convite.
Um convite que eu não aceito.
Mas tenho que admitir:
Reflex ão tem gosto de gudang.
Para Julya,
que me ofereceu, sem saber, uma p ílula de sabedoria enrolada em fumaça e silêncio.
À s vezes, é no exato instante em que algo se vai que a gente entende o sabor que ficou e porque escolhemos abrir mão.