Foram meses de muito. Muita alegria, muita ação, muita coisa tomando forma. Amigos reunidos, um apartamento novo na cidade grande, a vida se adensando em escolhas concretas. Quando muito acontece, pouco se escreve. Não por falta de assunto, mas por excesso de movimento.
A cidade ganhou mais uma vez o duelo com o interior. Não por decisão clara, mas por gravidade.
Escrevo agora de uma rede, com as ondas abafando a música dos carros que passam na beiramar. As cigarras não chegaram até aqui. O sol está tímido, como costuma estar na segunda semana de março.
Essa semana, meu amor completa mais um verão. Que alegria poder estar aqui para comemorar isso com ela.
Ela descansa de uma trilha. E enquanto isso, a trilha ainda trabalha em mim. Me fez lembrar da correria dos últimos meses, e mais fundo, da minha infância no interior. Antes eu seguia sem escutar. Hoje algo freou. Não sei nomear exatamente o quê, mas o caminho me trouxe de volta a mim.
Por mais corridos que esses meses tenham sido, o descanso chegou. E a alegria, essa, só tem aumentado.