Hoje caminhei pelo Palatino e pelo Fórum Romano.
As pedras queimavam de sol, mas a luz parecia medida na régua, batia nos arcos e colunas como se alguém tivesse calculado a intensidade certa para cada ruína. Roma é isso, beleza e sobra, grandeza e silêncio.
O Coliseu estava lá.
Um colosso erguido para o espetáculo, mas que durante séculos serviu a outros palcos, virou casa, abrigo, estalagem, até mercado. O monumento da glória imperial acabou guardando o pão cotidiano, cabras, crianças, vendedores. Nada de imperadores.
E aí fiquei pensando: por que buscamos grandeza, se tudo que erguemos acaba ruindo?
Talvez porque o que chamamos de grandeza nunca seja o mármore, mas o que sobra dele. Não o show de sangue, mas o teto que protegeu alguém da chuva. Não o triunfo do império, mas a cabana improvisada de quem precisava viver.
A mim não interessa deixar colunas nem cúpulas.
Se eu for lembrado por duas ou três gerações, pelos meus textos e histórias, já é muito. Não quero eternidade, quero eco.
E no fundo penso que a verdadeira grandeza é simples, ter o direito de caminhar sob essas ruínas, de ver com os próprios olhos, de registrar com calma.
O que eu vivi hoje deveria ser o mínimo.