Tenho escrito muito. Mas quase nada do que me dá prazer.

São tarefas de trabalho, compromissos que precisam ser entregues, pensamentos aleatórios que chegam e não consigo organizar. A cabeça fica cheia demais, e eu, tonto. Escrever virou só registro da pressa.

A caneta tinteiro que a Raquel me deu ainda me salva um pouco. Com ela, até anotar o cotidiano parece mais leve. O traço demora, e nessa demora eu respiro. Mas é pouco diante da avalanche.

Textos que gosto de pesquisar, de deixar crescer com calma, ficaram no fundo da gaveta. Foram engolidos pela pressa. Penso nisso e logo lembro: faltam poucos dias pras férias. E alguns dias a mais até a lua de mel.

Eu tinha um projeto pra lua de mel. Um que acabou esquecido no meio dessa correria. Será que ainda dá tempo? Será que ainda dá pra retomar?

Talvez esse texto seja só esforço de botar a cabeça pra fora do mar revolto e tomar algum ar. Sei que ainda faltam alguns dias de ondas altas. Sei que não vai ser fácil. Mas sei também que no fim tudo vai ficar certo.

Escrever, agora, é esse respiro.

E é isso que faz o ar entrar mais fundo, mais revigorante.